sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Pedagogia do amor

“A professora Teresa conta que no seu primeiro dia de aula parou em frente aos seus alunos da 5ª série primária e, como todos os demais professores, lhes disse que gostava de todos por igual.
No entanto, ela sabia que isto era quase impossível, já que na primeira fila estava sentado um garoto chamado Ricardo.
Ela, aos poucos, notava que ele não se dava bem com os colegas de classe e muitas vezes suas roupas estavam sujas e cheiravam mal.
Houve até momentos em que ela sentia um certo prazer em lhe dar notas vermelhas ao corrigir suas provas e trabalhos.
Ao iniciar o ano letivo, era solicitado a cada professor que lesse com atenção a ficha escolar dos alunos, para tomar conhecimento das anotações.
Ela deixou a ficha de Ricardo por último. 
Mas quando a leu foi grande a sua surpresa...
Ficha do 1º ano:
            ‘Ricardo é um menino brilhante e simpático. Seus trabalhos sempre estão em ordem e muito nítidos. Tem bons modos e é muito agradável estar perto dele.’
Ficha do 2º ano:
‘Ricardo é um aluno excelente e muito querido por seus colegas, mas tem estado preocupado com sua mãe que está com uma doença grave e desenganada pelos médicos.
A vida em seu lar deve estar sendo muito difícil.’
Ficha do 3º ano:
‘A morte de sua mãe foi um golpe muito duro para Ricardo.
Ele procura fazer o melhor, mas seu pai não tem nenhum interesse e logo sua vida será prejudicada se ninguém tomar providências para ajudá-lo.’
Ficha do 4º ano:
‘Ricardo anda muito distraído e não mostra interesse algum pelos estudos.
Tem poucos amigos e muitas vezes dorme na sala de aula.’
Ela se deu conta do problema e ficou terrivelmente envergonhada...
E ficou pior quando se lembrou dos lindos presentes de Natal que ela recebera dos alunos, com papéis coloridos, exceto o de Ricardo, que estava enrolado num papel de supermercado.
Lembrou que abriu o pacote com tristeza, enquanto os outros garotos riam ao ver que era uma pulseira faltando algumas pedras e um vidro de perfume pela metade.
Apesar das piadas ela disse que o presente era precioso e pôs a pulseira no braço e um pouco de perfume sobre a mão. Naquela ocasião Ricardo ficou um pouco mais de tempo na escola do que o de costume. Relembrou, ainda, que ele lhe disse:
- A senhora está cheirosa como minha mãe! E, naquele dia, depois que todos se foram, a professora chorou por longo tempo...
Em seguida, decidiu mudar sua maneira de ensinar e passou a dar mais atenção aos seus alunos, especialmente a Ricardo. Com o passar do tempo ela notou que o garoto só melhorava.
E quanto mais ela lhe dava carinho e atenção, mais ele se animava.
Ao finalizar o ano letivo, Ricardo saiu como o melhor da classe. Seis anos depois, recebeu uma carta de Ricardo contando que havia concluído o segundo grau e que ela continuava sendo a melhor professora que tivera. As notícias se repetiram até que um dia ela recebeu uma carta assinada pelo Dr. Ricardo Stoddard, seu antigo aluno, mais conhecido como Ricardo. Mas  a  história não terminou aqui... Tempos depois recebeu o convite de casamento e a notificação do falecimento do pai de Ricardo. Ela aceitou o convite e no dia do casamento estava usando a pulseira que ganhou de Ricardo anos antes, e também o perfume.
Quando os dois se encontraram, abraçaram-se por longo tempo e Ricardo lhe disse ao ouvido:
‘Obrigado por acreditar em mim e me fazer sentir importante, demonstrando-me que posso fazer a diferença.’
E com os olhos banhados em lágrimas sussurrou:
‘Engano seu! Depois que o conheci aprendi a lecionar e a ouvir os apelos silenciosos que ecoam na alma do educando.
Mais do que avaliar as provas e dar notas, o importante é ensinar com amor mostrando que sempre é possível fazer a diferença...’
Afinal, o que realmente faz a diferença? É o fazer acontecer a solidariedade, a compreensão, a ajuda mútua e o amor entre as pessoas...O resto vem por acréscimo...É este o segredo do Evangelho. Tudo depende da Pedagogia do Amor.


domingo, 4 de janeiro de 2015

Para o resto de nossas vidas

Existem coisas pequenas e grandes que levaremos para o resto de nossas vidas.
Talvez sejam poucas, quem sabe sejam muitas. Depende de cada um, depende da vida que cada um de nós levou.
Levaremos lembranças, das coisas que sempre serão inesquecíveis para nós, coisas que nos marcarão, que mexerão com nossa existência, em algum instante.
Provavelmente iremos pela vida afora colecionando essas coisas colocando em ordem de grandeza cada detalhe que nos foi importante, cada momento que interferiu em nossos dias, cada instante que foi cravado no nosso peito como uma tatuagem.
Marcas, isso... Serão marcas, umas mais profundas, outras superficiais, porém, com algum significado também.
Serão detalhes dentro de nós e que se não contarmos para terceiros talvez não tenha a menor importância, pois nós saberemos o quanto foi incrível vivê-los.
Poderá ser uma música, quem sabe um livro, talvez uma poesia, uma carta, um e-mail, uma viagem, uma frase que alguém tenha nos dito num momento certo.
Poderá ser um raiar de sol, um buquê de flores, um cartão de natal, uma palavra amiga num momento preciso.
Talvez venha a ser um sentimento abandonado, uma decepção, a perda de alguém querido, um certo encontro casual, um desencontro proposital.
Quem sabe uma amizade incomparável, um sonho que foi alcançado após muita luta, um que deixou de existir por puro fracasso.
Pode ser um simples instante, um olhar, um sorriso, um perfume, um beijo.
Para o resto de nossas vidas levaremos pessoas guardadas dentro de nós. Umas porque nos dedicaram um enorme carinho, outras porque foram o objeto do nosso amor, ainda outras por terem nos magoado profundamente.
Quem sabe haverá algumas que deixarão marcas profundas por terem sido tão rápidas em nossas vidas e terem conseguido ainda assim plantar dentro de nós tantas coisas boas.
Lá na frente é que poderemos realmente saber a qualidade de vida que tivemos, a quantidade de marcas que conseguimos carregar conosco e a riqueza que cada uma delas guardou dentro de si.
Bem lá na frente é que poderemos avaliar do que exatamente foi feita a nossa vida: se de amor ou de rancor, se de alegria ou tristezas, se de vitórias ou derrotas, se de ilusões ou realidades.
Pensem sempre que hoje é o começo de tudo, que se houver algo errado ainda está em tempo de ser mudado e que o resto de nossas vidas está em nossas mãos.


sábado, 6 de dezembro de 2014

Pão velho

Era um fim de tarde de sábado.
Eu estava molhando o jardim da minha casa, quando vi um menino parado junto ao portão,  me olhando.
- Dona, tem pão velho? - perguntou ele.
Essa coisa de pedir pão velho sempre me incomodou...
Olhei para aquele menino tão nostálgico e perguntei:
- Onde Você mora?
- Depois do zoológico, disse ele.
- Bem longe, hein?
- É... mas eu tenho que pedir as coisas para comer.
- Você está na escola?
- Não. Minha mãe não pode comprar material.
- Seu pai mora com vocês?
- Ele se foi e nunca mais voltou...
E o papo prosseguiu, até que eu disse:
- Vou buscar o pão. Serve pão novo?
- Não precisa, não. A senhora já conversou comigo, isso é suficiente.
Esta resposta caiu em mim como um raio. Tive a sensação de ter absorvido toda a solidão e a falta de amor daquela criança. Tão nova e já sem sonhos, sem brinquedos, sem comida, sem escola e tão necessitada de um papo, de uma conversa amiga.
Quantas lições podemos tirar desta resposta:
"Não precisa, não. A senhora já conversou comigo, isso é suficiente!"
Que poder mágico tem o gesto de falar e ouvir com amor!
Os anos se passaram e continuam pedindo “pão velho" na minha casa... E eu dando "pão novo", mas procurando antes compartilhar o pão das pequenas conversas, o pão dos gestos que acolhem e promovem.
Este pão de amor não fica velho, porque é fabricado no coração de quem acredita Naquele que disse: “Eu sou o pão da vida!”
Verifique quantas pessoas talvez estejam esperando  uma só palavra sua...


sexta-feira, 28 de novembro de 2014

PALAVRAS DE UM CORAÇÃO SIMPLES

“Somos rápidos em ignorar os outros.
Somos rápidos em reclamar quando os tempos são difíceis.
Somos rápidos em nos queixar quando nada vai pelo caminho que nós queremos.
Somos rápidos em condenar uma pessoa que nos trata injustamente.
Somos rápidos em gemer pelo preço da gasolina.
Somos rápidos em resmungar quando a conexão cai.
Somos lentos, entretanto, para olhar além do limite da próprio irritação e problemas e ver que muitas pessoas pelo caminho são bênçãos em nossa vida.
Se você está tendo um mau dia e alguém lhe dá o seu sorriso, pegue esta benção. Seja digno dela. Aquele sorriso, naquele momento, é seu presente para você. Pegue-o graciosamente e diga "obrigado".
Se alguém tentar lhe alegrar quando você estiver perturbado, reconheça seu esforço. Você pode não querer ser alegrado. Pode querer permanecer zangado ou triste ou amargo ou miserável. É sua prerrogativa, mas ao menos ofereça-lhes um ‘brigado por tentar’.
As pessoas nos dão pedaços e partes de si em incontáveis pequenas formas - um bom serviço num restaurante, um atendimento amigável num posto de gasolina, segurando uma porta para você quando seus braços estão cheios, dando-lhe o lugar na fila do supermercado quando percebem que você só comprou alguns poucos itens, dando-lhe um telefonema só pra ver como você está, parando para uma visita para ver se você precisa de algo, cuidando das crianças então você e seu cônjuge podem ter um jantar especial - a lista é interminável.
Pequenos gestos que nos dão significativas oportunidades de abandonar a nossa mentalidade do "eu, eu, eu" e focalizar em outra pessoa. Um verdadeiro e sincero "Obrigado" quer dizer: "reconheço o que você fez por mim e o aprecio por tê-lo feito".

Tradução de Sergio Barros

Do texto de Terri McPherson 

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Os filhos

"Os homens que venceram na vida à custa de seus próprios esforços e de uma luta contínua, procuram geralmente torná-la mais fácil para seus filhos, privando-os, assim, da árdua disciplina e da incansável energia que se lhes revelou tão eficaz.
Lembra-me sempre a história do colecionador de borboletas que, aflito, certa ocasião, por ver como lhes era difícil emergir do casulo, abriu-o com seus próprios dedos, num gesto de bondade mal refletida, a fim de poupar ao pobre inseto tão grande esforço. A borboleta em questão nunca pôde voar.
Toda vez que uma criança vence uma dificuldade, por si própria, as "asas" se lhe tornam mais fortes. Sempre que toma uma decisão e consegue cumpri-la sem hesitações nem desânimo, adquire maior confiança em si própria."


(Charles F. Kettering) 

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

O Verdadeiro Poder

“Era uma vez um guerreiro, famoso por sua invencibilidade na guerra. Era um homem extremamente cruel e, por isso, temido por todos. Quando ele se aproximava de uma aldeia, os moradores saiam correndo para as montanhas, onde se escondiam do malvado guerreiro. Subjugou muitas aldeias.
Certo dia, alguém viu ele se aproximar com seu exército de uma pequena aldeia, onde viviam alguns agricultores e entre eles um velhinho, muito sábio.
Quando o pessoal escutou a terrível notícia da aproximação do guerreiro, tratou de juntar o que podia e fugir rapidamente para as montanhas. Só o velhinho ficou para trás. Ele já não podia fugir. O guerreiro entrou na aldeia e foi cruel, incendiando as casas e matando alguns animais soltos pelas ruas.
Até que chegou na casa do velhinho. O velhinho, quando o viu se assustou. E sem piedade, foi dizendo ao velhinho que seus dias haviam chegado ao fim. Mas, que lhe concederia um último desejo, antes de passá-lo pelo fio de sua espada. O velhinho pensou um pouco e pediu que o guerreiro fosse com ele até o bosque e ali lhe cortasse um galho de uma árvore. O guerreiro achou aquilo uma besteira. –‘Esse velho deve estar gagá. Que último desejo mais besta.’
Mas, se esse era o último desejo do velhinho, havia que atendê-lo. E lá foi o guerreiro até o bosque e com um golpe de sua espada, cortou um galho de uma árvore.-‘ Muito bem’ disse o velhinho.
-‘O senhor cortou o galho da árvore. Agora, por favor, coloque esse galho na árvore outra vez.’ O guerreiro deu uma grande gargalhada, dizendo que esse velho deve estar louco, pois todo mundo sabe que isso já não é mais possível, colocar o galho cortado na árvore outra vez. O velhinho então lhe respondeu:
- ‘Louco é você que pensa que tem poder só porque destrói as coisas e mata as pessoas que encontra pela frente. Quem só sabe destruir e matar, esse não tem poder. Poder tem aquela pessoa que sabe juntar, que sabe unir o que foi separado, que faz reviver o que parece morto. Essa pessoa tem verdadeiro poder".

(Autor Desconhecido)


sábado, 6 de setembro de 2014

O Tamanho das Pessoas

“Os Tamanhos variam conforme o grau de envolvimento...
Uma pessoa é enorme para você, quando fala do que leu e viveu, quando trata você com carinho e respeito, quando olha nos olhos e sorri destravado.
É pequena para você quando só pensa em si mesma, quando se comporta de uma maneira pouco gentil, quando fracassa justamente no momento em que teria que demonstrar o que há de mais importante entre duas pessoas:
A amizade, o respeito, o carinho, o zelo, e até mesmo o amor.
Uma pessoa é gigante para você quando se interessa pela sua vida, quando busca alternativas para o seu crescimento, quando sonha junto com você. E pequena quando desvia do assunto.
Uma pessoa é grande quando perdoa, quando compreende, quando se coloca no lugar do outro, quando age não de acordo com o que esperam dela, mas de acordo com o que espera de si mesma.
Uma pessoa é pequena quando se deixa reger por comportamentos clichês.
Uma mesma pessoa pode aparentar grandeza ou miudeza dentro de um relacionamento, pode crescer ou decrescer num espaço de poucas semanas.
Uma decepção pode diminuir o tamanho de um amor que parecia ser grande.
Uma ausência pode aumentar o tamanho de um amor que parecia ser ínfimo.
É difícil conviver com esta elasticidade: as pessoas se agigantam e se encolhem aos nossos olhos. Nosso julgamento é feito não através de centímetros e metros, mas de ações e reações, de expectativas e frustrações.
Uma pessoa é única ao estender a mão, e ao recolhê-la inesperadamente, se torna mais uma.
O egoísmo unifica os insignificantes.
Não é a altura, nem o peso, nem os músculos que tornam uma pessoa grande...
É a sua sensibilidade, sem tamanho.”

Willian Shakespeare