sábado, 6 de dezembro de 2014

Pão velho

Era um fim de tarde de sábado.
Eu estava molhando o jardim da minha casa, quando vi um menino parado junto ao portão,  me olhando.
- Dona, tem pão velho? - perguntou ele.
Essa coisa de pedir pão velho sempre me incomodou...
Olhei para aquele menino tão nostálgico e perguntei:
- Onde Você mora?
- Depois do zoológico, disse ele.
- Bem longe, hein?
- É... mas eu tenho que pedir as coisas para comer.
- Você está na escola?
- Não. Minha mãe não pode comprar material.
- Seu pai mora com vocês?
- Ele se foi e nunca mais voltou...
E o papo prosseguiu, até que eu disse:
- Vou buscar o pão. Serve pão novo?
- Não precisa, não. A senhora já conversou comigo, isso é suficiente.
Esta resposta caiu em mim como um raio. Tive a sensação de ter absorvido toda a solidão e a falta de amor daquela criança. Tão nova e já sem sonhos, sem brinquedos, sem comida, sem escola e tão necessitada de um papo, de uma conversa amiga.
Quantas lições podemos tirar desta resposta:
"Não precisa, não. A senhora já conversou comigo, isso é suficiente!"
Que poder mágico tem o gesto de falar e ouvir com amor!
Os anos se passaram e continuam pedindo “pão velho" na minha casa... E eu dando "pão novo", mas procurando antes compartilhar o pão das pequenas conversas, o pão dos gestos que acolhem e promovem.
Este pão de amor não fica velho, porque é fabricado no coração de quem acredita Naquele que disse: “Eu sou o pão da vida!”
Verifique quantas pessoas talvez estejam esperando  uma só palavra sua...


sexta-feira, 28 de novembro de 2014

PALAVRAS DE UM CORAÇÃO SIMPLES

“Somos rápidos em ignorar os outros.
Somos rápidos em reclamar quando os tempos são difíceis.
Somos rápidos em nos queixar quando nada vai pelo caminho que nós queremos.
Somos rápidos em condenar uma pessoa que nos trata injustamente.
Somos rápidos em gemer pelo preço da gasolina.
Somos rápidos em resmungar quando a conexão cai.
Somos lentos, entretanto, para olhar além do limite da próprio irritação e problemas e ver que muitas pessoas pelo caminho são bênçãos em nossa vida.
Se você está tendo um mau dia e alguém lhe dá o seu sorriso, pegue esta benção. Seja digno dela. Aquele sorriso, naquele momento, é seu presente para você. Pegue-o graciosamente e diga "obrigado".
Se alguém tentar lhe alegrar quando você estiver perturbado, reconheça seu esforço. Você pode não querer ser alegrado. Pode querer permanecer zangado ou triste ou amargo ou miserável. É sua prerrogativa, mas ao menos ofereça-lhes um ‘brigado por tentar’.
As pessoas nos dão pedaços e partes de si em incontáveis pequenas formas - um bom serviço num restaurante, um atendimento amigável num posto de gasolina, segurando uma porta para você quando seus braços estão cheios, dando-lhe o lugar na fila do supermercado quando percebem que você só comprou alguns poucos itens, dando-lhe um telefonema só pra ver como você está, parando para uma visita para ver se você precisa de algo, cuidando das crianças então você e seu cônjuge podem ter um jantar especial - a lista é interminável.
Pequenos gestos que nos dão significativas oportunidades de abandonar a nossa mentalidade do "eu, eu, eu" e focalizar em outra pessoa. Um verdadeiro e sincero "Obrigado" quer dizer: "reconheço o que você fez por mim e o aprecio por tê-lo feito".

Tradução de Sergio Barros

Do texto de Terri McPherson 

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Os filhos

"Os homens que venceram na vida à custa de seus próprios esforços e de uma luta contínua, procuram geralmente torná-la mais fácil para seus filhos, privando-os, assim, da árdua disciplina e da incansável energia que se lhes revelou tão eficaz.
Lembra-me sempre a história do colecionador de borboletas que, aflito, certa ocasião, por ver como lhes era difícil emergir do casulo, abriu-o com seus próprios dedos, num gesto de bondade mal refletida, a fim de poupar ao pobre inseto tão grande esforço. A borboleta em questão nunca pôde voar.
Toda vez que uma criança vence uma dificuldade, por si própria, as "asas" se lhe tornam mais fortes. Sempre que toma uma decisão e consegue cumpri-la sem hesitações nem desânimo, adquire maior confiança em si própria."


(Charles F. Kettering) 

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

O Verdadeiro Poder

“Era uma vez um guerreiro, famoso por sua invencibilidade na guerra. Era um homem extremamente cruel e, por isso, temido por todos. Quando ele se aproximava de uma aldeia, os moradores saiam correndo para as montanhas, onde se escondiam do malvado guerreiro. Subjugou muitas aldeias.
Certo dia, alguém viu ele se aproximar com seu exército de uma pequena aldeia, onde viviam alguns agricultores e entre eles um velhinho, muito sábio.
Quando o pessoal escutou a terrível notícia da aproximação do guerreiro, tratou de juntar o que podia e fugir rapidamente para as montanhas. Só o velhinho ficou para trás. Ele já não podia fugir. O guerreiro entrou na aldeia e foi cruel, incendiando as casas e matando alguns animais soltos pelas ruas.
Até que chegou na casa do velhinho. O velhinho, quando o viu se assustou. E sem piedade, foi dizendo ao velhinho que seus dias haviam chegado ao fim. Mas, que lhe concederia um último desejo, antes de passá-lo pelo fio de sua espada. O velhinho pensou um pouco e pediu que o guerreiro fosse com ele até o bosque e ali lhe cortasse um galho de uma árvore. O guerreiro achou aquilo uma besteira. –‘Esse velho deve estar gagá. Que último desejo mais besta.’
Mas, se esse era o último desejo do velhinho, havia que atendê-lo. E lá foi o guerreiro até o bosque e com um golpe de sua espada, cortou um galho de uma árvore.-‘ Muito bem’ disse o velhinho.
-‘O senhor cortou o galho da árvore. Agora, por favor, coloque esse galho na árvore outra vez.’ O guerreiro deu uma grande gargalhada, dizendo que esse velho deve estar louco, pois todo mundo sabe que isso já não é mais possível, colocar o galho cortado na árvore outra vez. O velhinho então lhe respondeu:
- ‘Louco é você que pensa que tem poder só porque destrói as coisas e mata as pessoas que encontra pela frente. Quem só sabe destruir e matar, esse não tem poder. Poder tem aquela pessoa que sabe juntar, que sabe unir o que foi separado, que faz reviver o que parece morto. Essa pessoa tem verdadeiro poder".

(Autor Desconhecido)


sábado, 6 de setembro de 2014

O Tamanho das Pessoas

“Os Tamanhos variam conforme o grau de envolvimento...
Uma pessoa é enorme para você, quando fala do que leu e viveu, quando trata você com carinho e respeito, quando olha nos olhos e sorri destravado.
É pequena para você quando só pensa em si mesma, quando se comporta de uma maneira pouco gentil, quando fracassa justamente no momento em que teria que demonstrar o que há de mais importante entre duas pessoas:
A amizade, o respeito, o carinho, o zelo, e até mesmo o amor.
Uma pessoa é gigante para você quando se interessa pela sua vida, quando busca alternativas para o seu crescimento, quando sonha junto com você. E pequena quando desvia do assunto.
Uma pessoa é grande quando perdoa, quando compreende, quando se coloca no lugar do outro, quando age não de acordo com o que esperam dela, mas de acordo com o que espera de si mesma.
Uma pessoa é pequena quando se deixa reger por comportamentos clichês.
Uma mesma pessoa pode aparentar grandeza ou miudeza dentro de um relacionamento, pode crescer ou decrescer num espaço de poucas semanas.
Uma decepção pode diminuir o tamanho de um amor que parecia ser grande.
Uma ausência pode aumentar o tamanho de um amor que parecia ser ínfimo.
É difícil conviver com esta elasticidade: as pessoas se agigantam e se encolhem aos nossos olhos. Nosso julgamento é feito não através de centímetros e metros, mas de ações e reações, de expectativas e frustrações.
Uma pessoa é única ao estender a mão, e ao recolhê-la inesperadamente, se torna mais uma.
O egoísmo unifica os insignificantes.
Não é a altura, nem o peso, nem os músculos que tornam uma pessoa grande...
É a sua sensibilidade, sem tamanho.”

Willian Shakespeare


sexta-feira, 29 de agosto de 2014

O Rei de Quase Tudo

“O Rei de quase tudo tinha quase tudo. Tinha terras, exércitos e tinha muito ouro. Mas, o Rei não estava satisfeito com o quase tudo.
Ele queria tudo. Queria todas as terras. Queria todos os exércitos do mundo. E queria todo o ouro que ainda houvesse.
Assim, mandou os seus soldados à procura de tudo. E mais terras foram conquistadas. Outros exércitos foram dominados. Nos seus cofres já não cabia tanto ouro. Mas o Rei ainda não tinha tudo. Continuava o Rei de quase  tudo.
Por isso ele quis mais. Quis as flores, frutos e os pássaros.  Quis as estrelas e quis o sol. Flores e frutos e pássaros lhe foram trazidos. Estrelas foram aprisionados e o sol perdeu a liberdade.
Mas o rei ainda não tinha tudo. Porque tendo as flores, não lhes podia prender a beleza e o perfume. Tendo os pássaros, não lhes podia prender o cantar. Tendo as estrelas, não lhes podia prender o brilho. E tendo o sol, não lhe podia prender a luz.
O Rei era ainda o Rei de quase tudo.
E ficou triste.
Na sua tristeza saiu a caminhar pelos seus reinos. Mas os reinos eram agora muito feios. As flores e os frutos tinham estrelas e o dia não tinha sol.
E triste como ele eram os seus súditos. Então o Rei de quase tudo não quis mais nada.
Mandou que devolvessem as flores aos campos e que  entregassem as terras conquistadas.
Mandou que plantassem árvores para que dessem frutos e que soltassem os pássaros.
Mandou que distribuíssem as estrelas pelo céu e que libertassem o sol.
O Rei ficou feliz...
Na sua imensa alegria sentiu a P A Z . E sentindo a paz, o Rei viu que não era mais o rei de quase tudo. Ele agora tinha tudo”.


Autoria Desconhecida

sexta-feira, 25 de julho de 2014

O que foi que o mendigo disse?

“Ao seu lado, sentou-se um homem que, pelo seu aspecto, pareceu-lhe um mendigo.
Quase se levantou para seguir o seu caminho, mas o sorriso do homem o reteve.
Aos poucos, se estabeleceu um diálogo e uma animada conversa que se estendeu por horas.
Finalmente, o marido se levantou do banco, deixando dinheiro na mão do mendigo.
Sua postura já estava diferente.
Agora, com passo enérgico, voltou para casa, tomou banho, fez a barba e se vestiu com todo cuidado.
Saiu sem dar explicações e sua mulher, que já não o amava, se mostrou levemente curiosa com a sua nova atitude.
Voltou à noite, bem tarde.
No dia seguinte, cumprimentou gentilmente sua mulher e foi trabalhar.
Na volta, vestiu um short, calçou tênis e fez uma longa caminhada noturna.
Dormiu com excelente disposição.
O dia seguinte foi igual, talvez melhor.
Sua mulher, que não o amava, e seus filhos se surpreenderam. Parecia ter perdido a tristeza.
Ganhara uma força e uma elegância que a família nunca antes tinha notado.
Continuou a ser gentil com a mulher mas nunca mais lhe pediu desculpas ou explicações, nem exigiu que fizesse amor com ele.
Passaram-se semanas.
A atitude do marido continuava firme e a disposição otimista instalou-se de vez.
A mulher sentia-se cada vez mais intrigada com a mudança miraculosa do marido e teve mais simpatia por suas novas atitudes, sábias e moderadas.
Embora ela persistisse em não amá-lo, ele melhorava seu desempenho como pessoa e como pai.
Agora, os amigos o procuravam.
Era evidente que tinha se transformado num homem sábio.
Quanto a mim, sou um sujeito profundamente curioso, talvez por ser escritor e fui à mesma praça onde estivera o marido a fim de procurar o mendigo.
Pude reconhecê-lo imediatamente.
Sem vacilar, sentei-me a seu lado.
Apresentei-me e perguntei o que ele tinha dito para o marido.
Sorrindo, o mendigo me respondeu:
“Ah, lembro... Não dei grande conselho.
Disse-lhe apenas que, com minha experiência de mendigo, aprendi que nunca se deve pedir dinheiro e, pelas mesmas razões, jamais se deve suplicar amor.
Essas são duas coisas que sempre nos negam quando as pedimos”.
E sorrindo, acrescentou:
‘O dinheiro, a gente ganha; o amor se conquista’.
Não me pediu nada.
Mesmo assim, agradecido, dei-lhe R$ 100,00.”

Alberto Goldin